O novo livro de Cássio Cipriano une romance aquileano, paixão por Eurodande e uma história de autoconhecimento e superação. Aperte o play e viva a experiência.

Equalizados, de Cassio Cipriano, abriu o ano de 2025 ativando a nostalgia em modo turbo. E quem é milennial e cresceu na década de 1990 e 2000 ao som do Eurodance, vai saber do que estou falando. Afinal, o gênero foi um marco nas rádios, e muitos de nós corriam desesperados para gravar as melhores edições em fitas k-7, e garantir aqueles hits de sucesso para escutar quando quisesse. Só quem viveu sabe… Sim, eu fui, eu estava lá!

E assim como em Sk8er Boys: O Amor está na Pista, onde o autor trouxe um romance aquileano, e cada capítulo inspirado em um pop dos anos 2000, Cassio Cipriano repete essa fórmula em Equalizados, só que dessa vez com Eurodance em foco. Inclusive, se você ainda não conhece Sk8er Boys, aqui no site tem uma resenha completa e várias curiosidades sobre o autor. Depois corre lá e dá uma conferida.

Apesar de Equalizados ter sido lançando em 2025, Cassio Cipriano começou a escrevê-lo em 2016, com outro título e uma proposta diferente. E por pouco, ele não se tornou o romance de estreia do autor. Só que os caminhos mudaram em 2017, quando um autor estreante lançou um romance com um plot bem parecido e que fez muito sucesso. Isso acabou desanimando-o , que decidiu engavetar o projeto e focar em sua vida acadêmica.

Mas como a vida é uma caixinha de surpresas, em 2019 Cassio se reconectou com a escrita e criou uma outra história, que acabou se tornando sua obra de estreia. no entanto, o desejo de concluir Equalizados nunca desapareceu. E esse desejo se fortaleceu ainda mais, após o falecimento de um aluno querido do autor, em decorrência de um câncer. Como ele havia lido o rascunho de Equalizados, ele sempre comentava que queria ver o livro publicado.

Por isso, o livro é mais que um romance aquileano: é uma homenagem carregada de bagagem, cultura e identidade. E Cassio Cipriano sempre faz questão de compartilhar e enaltecer esses elementos em suas obras, convidando você a refletir sobre a importância de viver verdadeiramente quem você é.

Ufa! Falei demais né? Então chega de delongas. Coloque o fone de ouvido, aperte o play no Eurodance, porque o Questão D tá On!

Mesa de equipamento eletrônico de um Dj, com um reflexo de um DJ performando. | Questão D
(Imagem: Banco de Imagens Canva | Arte: Dandy Souza)

Equalizados: Amor, Música e Impacto do Eurodance

Você é daqueles que sente um peso nas costas ao tentar decidir os próximos passos, sem nem mesmo fazer ideia qual caminho seguir? É exatamente isso que Ian está passando.

Com 18 anos e recém formado no ensino médio, ele se sente perdido quando o assunto é carreira. E essa indecisão gera uma certa frustração, principalmente porque ele é filho de Túlio, um bioqúimico, e Ianna, uma radialista e DJ que cursou farmácia. . Ou seja, enquanto seus pais sabiam exatamente o que queriam da vida, Ian está vivendo uma fase de autocobrança e comparação. Quem nunca né?

E sempre que Ian se encontra em momentos reflexivos e introspectivos, ele tem um ritual especial: vai Ele vai até o estúdio de sua mãe, localizado no porão da casa, para ouvir as gravações dos programas de rádio dela, em fitas k-7. Isso porque, quando Ian tinha 6 anos, perdeu sua mãe para um câncer de mama. Por isso, as vistas ao estúdio e as gravações são uma forma de se conectar com ela – já que ele guarda poucas lembranças ao seu lado.

Como Ianna era DJ na rádio, especialista em Eurodance, a paíxão e o conhecimento de Ian sobre o gênero surgiram a partir dessas gravações. Inclusive, ele ficou arrepiado quando um DJ novo tocou um set com os sucessos dos anos 1990 e 2000. Apesar de não ter redes socias, a figura do DJ K-lil marcou sua noite e ativou um profundo sentimento de nostalgia dentro de si.

Apesar da autocobrança, Ian tem o apoio e o suporte emocional de seu pai, Túlio. Desde que Ianna partiu, ele dedicou-se a criar o filho com todo amor e atenção possível. E depois e muito tempo, focado em cumprir seu papel de pai, Túlio começou a namorar novamente, e teve total apoio de Ian – que tinha bem claro em sua mente que o pai merecia viver a vida e ser feliz.

Mas o que Ian não esperava era que a namorada de seu pai precisaria passar uns tempos em sua casa, devido uma reforma de emergência. E para piorar, ele teria que dividir o quarto com o filho dela, sem nunca terem se visto antes.

“No começo, quando eu descobri que ele era o ruivo misterioso da balada que seria um cara superficial e metido, por ser influenciador, famosinho, essas coisas. Mas sei lá, ele está mais para um artista sensível do que para alguém sem conteúdo.” (Ian)

Mas, assim como a noticia pegou Ian de surpresa, ele também ficou chocado ao descobir que o filho da namorada de seu pai era o próprio DJ K-lil, aquele que havia chamado sua atenção ao tocar Eurodance. Além de Dj, K-lil era influencer e estava aproveitando a visibilidade com a internet para alavancar sua carreira.

Assim, com o conhecimento que Ian tinha sobre o gênero, os dois começaram a se dar bem, surgindo até uma parceria para a criação de um novo set para K-lil. Apesar das dúvidas sobre sua carreira, essa aproximação com o filho da namorada de seu pai começou a despertar em Ian um interesse que ele nunca imaginou seguir – um legado deixado por sua mãe.

Mas além do interesse musical, um sentimento a mais começou a nascer entre os dois. E quando acontece o primeiro beijo, K-lil se afasta de Ian de forma brusca, e saí de casa. O que parecia ser o inicio de um romance, acaba se tornando um tormento para ambos, já que K-lil deixa claro aquilo nunca deveria ter acontecido. De repente, tudo que havia sido equalizado foi desfeito de uma hora para outra.

Pelo visto o status “era o início de um sonho. deu tudo errado” foi atualizado… Mas, de longe, esse será um dos menores problemas de Ian, porque muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Afinal, quem disse que seria fácil? Será que romance proibido e Eurodance combinam? É isso que vamos descobrir. Vem comigo!

Imagem de um toca fitas k-7 grande dos anos 80, em meio a pessoas e fumaça colorida | Questão D
(Imagem: Banco de Imagens Canva | Arte: Dandy Souza)

Eurodance e Nostalgia: Uma Experiência Imersiva em Equalizados

A verdade é que, enquanto lia Equalizados e acompanhava o drama de Ian e K-Lil ao som de Eurodance, me lembrei muito das novelas de Carlos Lombardi, em que a trilha sonora internacional trazia alguns pops e Eurodances marcantes como em Quatro por Quatro (1994), Vira-Lata (1996) e Uga-Uga (2000), entre outras.

Imagina você ver Ian em seu momento de refúgio e reflexão, no porão de sua casa, ao som de Be My Lover, do La Bouche. Isso é pura vibe novela dos anos 1990, hehehe… Inclusive, aqui vai uma dica: leia Equalizados ao som da playlist do livro. Assim, você terá uma experiência imersiva na história.

Principalmente nas cenas em que ele e K-Lil conversam sobre o impacto cultural que o Eurodance causou no passado e que influencia até hoje. Quem é millennial sabe do que estou falando. Afinal, a década de 1990 foi um período de ascensão da música eletrônica, e que se expandiu no mundo graças às rádios e à MTV.

A cena do programa de rádio de Ianna, por exemplo, me lembrou muito os tempos da Marajoara FM, uma rádio local de Belém do Pará, com seu HOT MIX, um programa focado em dances da época. Segue um vídeo para você sentir um gostinho — ou matar a saudade.

Por um período, essa rádio foi minha fonte básica de dance até 1994, ano em que a Jovem Pan iniciou suas transmissões aqui em Belém. Só quem viveu sabe, né?

Apesar de o livro focar nas heranças e influências do Eurodance, o gênero também contribuiu com a cultura pop, influenciando a moda e a dança. Inclusive, este último teve uma grande contribuição para o street dance. Apesar de terem origens distintas, ambos ajudaram a moldar a cultura da dança e da música, deixando um legado que influencia artistas e dançarinos até hoje.

Até porque, vamos combinar, a maioria dos cantores de Eurodance não sabiam dançar… mas “vamos deixar baixo” e focar no livro, hehe. Confesso que, no começo, não estava torcendo pelo romance de Ian e K-Lil, sabia? Calma, porque vamos falar sobre isso no próximo tópico. Mas, antes, beba água e respire!

Equalizados | Imagem de um público em um festival, com o reflexo de duas mãos dadas de dois rapazes | Questão D
(Imagem: Banco de Imagens Canva | Arte: Dandy Souza)

Ian e Kalil: Meu Casal…?

Não vou mentir: no começo, eu não queria que Ian e K-Lil ficassem juntos. Até porque a relação dos dois estava tão gostosa, com os dois apenas compartilhando suas paixões e o projeto do novo set de Eurodance, que eu temia que tudo isso iria por água abaixo por conta de algum conflito ou término.

Por isso, no início, eu fiquei bem resistente e preferia que continuassem daquele jeito. Mas quem lê um livro de Cassio Cipriano não tem um dia de paz, porque ele gosta de ousar e não tem medo de ultrapassar as linhas conflituosas em suas histórias. Inclusive, cheguei ao ponto de falar alto: “Tá vendo? Não falei? Eu sabia que isso ia acontecer!”. Sim, eu vivi cada parágrafo como se fosse comigo, hahaha…

Mas, aos poucos, meus sentimentos foram mudando. Até porque os personagens eram pés no chão, e cada reviravolta nessa montanha-russa caótica da vida deles, ajudava a desenvolver suas personalidades. E o Ian tem todo o meu respeito, pois ele foi maduro e coerente em suas decisões, quebrando aquela ideia de um romance florido e dando lugar ao “o que tiver de ser, será” — o que me deixou cada vez mais interessado em Equalizados.

Inclusive, a história quebrou vários paradigmas, como a famosa frase de efeito “trabalhe com aquilo que você ama”, que coaches gostam de reproduzir brincando, sem nenhuma responsabilidade, até porque não aplicam nada daquilo que ensinam. E muito pelo contrário, o livro foi bem honesto sobre os sentimentos e objetivos de Ian em relação ao seu futuro.

Equalizados | Imagem de um DJ de costas olhando para plateia d eum festival | Questão D
(Salve este post no pinterest e leia sempre quando quiser)

Foi uma grata surpresa conhecer as profundas camadas de Ian, como a responsabilidade afetiva que ele tem por seu pai, Túlio, reconhecendo a dedicação que ele teve desde falecimento de sua mãe. Além disso, ele não tem medo de analisar criteriosamente suas escolhas, e se questionando: “Isso faz parte da minha essência? Esse é o meu sonho de verdade?”. E, por mais que seja difícil dizer não, Ian é honesto com seus princípios.

E diferente das outras publicações de Cassio Cipriano, ao meu ver, Equalizados tornou-se um divisor de águas em sua jornada como autor. Afinal, seu propósito com suas obras é sempre trazer narrativas com representatividade e histórias que gostaria de ver na cultura pop. Além disso, o livro incorpora elementos de sua cultura, história e identidade de um autor nortista, e com um romance aquileano pés no chão e próximo de situações reais do nosso dia-a-dia.

Já está mais que na hora de retomar o controle da narrativa e contar a verdade , em vez de ficar refém das páginas de fofoca.” (Ian)

Mas não se engane, porque o autor não é nem um pouco inocente, viu? Ele traz provocações que vão ressoar em sua mente por um bom tempo, sabia? Inclusive… Você já parou para pensar se as suas decisões que tomou até hoje foram porque faziam sentido para você ou porque muitos estavam dizendo para fazer?

Afinal, que a verdade seja dita, o poder da dúvida pode até assustar, mas percorrer uma jornada moldada por você é muito melhor do que uma que não carrega sua identidade. Até porque, tToda escolha tem suas consequências, e Ian prova para gente que: “ficar em cima do muro nunca será uma solução”, porque o risco de procrastinar e perder oportunidades, acontecem um piscar de olhos. Será que é isso que você quer? Sem dúvida, a resposta é não.

Cedo ou tarde, vai ter que sair e tomar decisões difíceis, assumir riscos de uma vez por todas, e precisa pensar sobre o que quer, sem colocar os outros à frente da sua própria vontade.” (Bernardo)

E você já leu Equalizdos de Cássio Cipriano? O que você achou? Você ativou sua notalgia por Eurodance? Deixe seu comentário no Instagram.

Compartilhe esse artigo com aquele seu crush que gosta de romances aquileanos, quem sabem assim ele te nota.

Até o próximo post 😉

Equalizados | Mockup de um tablet com a capa do livro: dois rapazes deitados no chão com as pernas suspensas na cama, em um quarto com vinil | Questão D

Ficha Técnica

Título: Equalizados
Gênero: Romance
Autor: Cássio Cipriano
N° de Páginas: 301
Idioma: Português
Formato: Epub (Kindle)
Classificação Indicativa: A16-18
Data de Publicação: 10 de janeiro de 2025
Onde Comprar: Amazon

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Foto de Dandy Souza

Dandy Souza

Web Designer e Videomaker. Sou um caçador de "easter eggs"e ativista da cultura pop. Criei o "Questão D" para mostrar que sci-fi, terror e o suspense são gêneros que além de entreter, têm um papel social interessante e fora da curva.Seja bem-vindes, porque o Questão D tá On!
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